O MUNDO DOS TREINADORES -2° PARTE COM JOSÉ LUIZ ARANHA

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Depois de uma explanação sobre como entrar e permanecer neste meio dos treinadores,vamos neste segundo bloco conhecer o dia a dia de um treinador.

1)Explica como foi a aceitação familiar,ser treinador,foi apoiado por sua família?Ou encontrou obstáculos?

Não obtive aceitação da família e isso foi muito ruim no começo. Meu pai tinha a expectativa de que eu seguiria a carreira de veterinário apenas, mas hoje isso esta bem superado.

2)Fala do seu dia como treinador,claro que a rotina de terça a sexta é uma e de sábado a segunda muda por serem dias de corridas,falam que tem que madrugar,que a vida na vila hípica inicia perto das 5 da matina,explica isto.

O dia começa bem cedo mesmo, todos os dias. De segunda a sábado a raia abre as 6 da manha e apenas no domingo não tem raia aberta. No dia anterior aos trabalhos eu faço uma lista com todos os trabalhos individuais de cada cavalo e passo para os 2o gerentes. Na manhã seguinte converso com todos e faço as mudanças necessárias, ou seja, aquele que não comeu, que teve febre, que se machucou não vão a raia e encontro com os cotejadores e cavalos na raia. Na parte da tarde reviso os animais e como passo praticamente o dia todo no Jockey, ainda sobra tempo para revisar alguns páreos, pesquisar as melhores inscrições e fazer a contabilidade da cocheira.

3)Como o treinador cuida dos seus problemas de família,dá para conciliar tudo?

Muito difícil conciliar as atividades familiares com o trabalho. Sempre procuro estar com a família quando não tenho cavalos correndo, o que não vem acontecendo ultimamente. Levar o filho na escola e buscar, as vezes, fica uma tarefa impossível. Procuro sempre achar um tempo para o filho e namorada, principalmente no domingo de manha. Quando não tenho cavalos correndo cedo no domingo e sábado procuro estar com meus pais no almoço em família, mas ser treinador, um dos preços que se paga é este,dedicação a semana toda.

4)No teu caso,ganhador de estatística,deve ter uma renda básica mensal,alias como é isto?Hoje o amigo está bem,mas no inicio?

Ser treinador de cavalos de corrida não é uma atividade muito rentável, principalmente pelos baixos prêmios que temos hoje no turfe nacional. Obvio que comparado com o meu inicio de carreira, hoje estou muito melhor remunerado, mas muito abaixo do que as pessoas imaginam e gostaria. O turfe nacional hoje para quem recebe, o trato é muito pouco, e para quem paga é muito caro. Infelizmente.

5)Podemos falar que o amigo veio ao mundo para ser treinador,mas acho que conheceu muitos que tentaram e não deu certo,como lidam com a derrota?Tem mais pessoas que entram e conseguem ou o contrário?

Ser treinador é muito difícil, pois alem da aptidão, é necessário organização, forca de vontade e saber fazer conta. Hoje em dia cada treinador é uma pequena empresa ambulante, ou seja, tem funcionários, compra alfafa, aveia, cama, e necessita de uma boa organização e muito trabalho alem da raia. Antigamente os treinadores não se preocupavam com a parte de funcionários, pois eram de fora. Hoje é bem diferente e muitos não conseguem vingar na profissão por ser muito dispendiosa e necessitam de bons clientes para se manterem. Hoje é uma profissão, infelizmente, em extinção.

6)A cidade de SÃO PAULO é muito famosa pelos grandes problemas urbanos,dentre eles o alto volume de chuvas,muitos vão e não conseguem voltar para casa no horário que imaginavam.Sei que atualmente é o contrário,pouca chuva neste ano,mas este problema já te atingiu?

Nunca tive problema com mobilidade urbana em São Paulo porque tenho a sorte de morar perto do hipódromo, mas já sofri com grandes volumes de chuvas dentro do mesmo. Por duas vezes vi uma grande quantidade de chuva inundar as cocheiras e por pouco não entrar nas baias dos animais.

7)O mundo dos treinadores,hoje o amigo pode classificar como de amigos ou muita disputa e inveja do outro?

Sem duvida de muita inveja e disputa. Gostaria que essa disputa ficasse apenas dentro da raia, mas infelizmente ela vai alem das pistas. Tenho um bom amigo dentro do Jockey que é o Ermelindo Sampaio e outros colegas muito estimados, mas é uma profissão de muita disputa por espaço, clientes e vitorias.

8)Quando o treinador está suspenso e vejo muita suspensão grande,sem nem ao menos poder frequentar a vila hípica,já passou por isto?Como fica a vida neste tempo?

Já passei por inúmeras suspensões. Muitas delas injustas o que fizeram com que quase abandonasse a profissão, mas posso falar com certeza que não desejo isso para o meu maior inimigo. E´ muito triste e desgastante ficar de fora dos programas e não poder correr os cavalos no seu nome. A vida fica conturbada e quando a suspensão é por algo muito grave, como doping e indisciplina, o treinador pode entrar no período das 10 as 14 para assuntos burocráticos relativos a sua empresa e quando a suspensão é mais leve, tem livre acesso a cocheira, mas não pode ir a raia apenas.

9)Trabalha bastante com a Josiane que hoje tem o respeito de todos,relação treinador com a joqueta é a mesma que com o Vagner Leal por exemplo,ou diferente.Ela já falou que pilotar não é força,mas jeito,como funciona isto,todo tipo de cavalo pode ser montado pela joqueta?

Eu admiro muito a Josiane Gulart pelo seu calculo de corrida e inteligência para montar um PSI. A relacão com ela e outros é a mesma, são todos profissionais e sempre procuro orientá-los antes das corridas. Claro que alguns cavalos são mais adequados para um jóquei enérgico com o A.Queiroz,V.Leal e outros são mais adequados a Josiane pela forma de conduzir, mas a própria Josiane tem uma sensibilidade para saber qual animal é melhor para ela, pois trabalha os animais de manhã e sabe qual tem seu perfil ou não. Ela, por exemplo, já negou inúmeras montarias por não ter confiança em ter um bom desempenho com o animal e muitas vezes também, montou um cavalo e mesmo sabendo que teria chance de ganhar com ele pediu para colocar outro jóquei na próxima. Admiro esse profissionalismo.

10)Nestes anos fora RIO e SÃO PAULO para que outros lugares levou seus cavalos para correr?

Levei apenas cavalos para competir no eixo Rio São Paulo, mas tenho um sonho de levar cavalos para correr na Argentina e outros hipodromos pelo mundo. Em 1996 fui junto com o Ermelindo Sampaio levar o Quari Bravo para correr na Argentina e espero, em breve, ter essa experiencia novamente.

NA SEMANA QUE VEM ACABAMOS ESTE TRABALHO,COM AS PERGUNTAS FINAIS.

UMA LUZ NO FIM DE TÚNEL-ENRICO JARUSSI

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Nesta fase que passa o nosso Turfe a minha esperança é uma nova geração surgir,pois bem,um dos mais nobres representantes é o amigo ENRICO que é um proprietário entusiasmado,nesta segunda tirou 3 fotos da vitória,foi uma festa mais do que merecida,claro que não podemos passar em branco.

FOI DEMAIS ENRICO,FELICIDADE,SAÚDE E SORTE NA VIDA E NO TURFE.





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  • Parabens belissima entrevista MAT,...qto ao treinador J L ARANHA apesar de nao o conhecer pessoalmente parece ser uma pessoa super correta,dedicada e muito atenciosa, atendendo a todos com paciencia e humildade....parabens e q venha outra estatisca.
    - LEO_RIOS
  • Muito boa a matéria, Rodrigo. Bom conhecer os detalhes do treinamento destes bichinhos tão especiais que são o PSI.
    - Cleo Nahon
  • SOU AMIGO DO ALMIRANTE E PELA PRIMEIRA VEZ, LEIO UMA REPORTAGEM SOBRE TURFE TÃO ESPETACULAR, PARABENS E QUE CONSIGAMOS TER MATERIAS IGUAIS A ESSAS PUBLICADAS.
    - gilberto
  • E a premiação do torneio de vocês como ficou seu Rodrigo Lacerda, pois nunca vi torneio sem divulgar as premiações antes de dar a largada, afinal de contas os inscritos tem de saberes os respectivos prêmios.
    - lucas
  • Caro Anderson, Valeu pelos elogios. Aliás, vc estava indo muito bem até a hora que me chamou de seu Cleo e senhor, kkkk. Você marca muito. É que eu tive uma semana onde tudo deu certo. Grande abraço e boa sorte nas corridas.
    - Cleo Nahon